ECONOMISTAS RESSALTAM QUE GRANDE PARTE DOS GASTOS COM SERVIDORES SÃO DESPESAS ESSENCIAIS

Segunda-feira, 09 de novembro de 2020

Os debatedores da reunião virtual promovida na quinta-feira (05) pela Frente Parlamentar Mista em Defesa do Serviço Público ressaltaram que os estudos favoráveis à reforma administrativa destacam os gastos com o funcionalismo, desconsiderando que essas despesas se concentram em segurança, educação e saúde; que seriam áreas essenciais para a população.

O deputado Professor Israel Batista (PV/DF), coordenador da Frente, tem buscado contestar os números desses estudos, mas reclama que a mídia, especialmente a televisiva, não dá muita atenção aos argumentos contrários.

O parlamentar citou especificamente estudo do Instituto Millenium. “O instituto fez uma comparação dos gastos com o pagamento da folha salarial e os gastos com educação e saúde, desconsiderando que o principal elemento de uma escola é o professor, e que o principal elemento de um hospital é o médico, é o enfermeiro. Foi uma comparação absurda e, para o nosso espanto, a grande imprensa comprou esse estudo absolutamente incorreto”, criticou.

O professor de economia da Unicamp Márcio Pochmann disse que a reforma não parece ter um objetivo de longo prazo e adota um modelo de contratação que vigorou na República Velha, antes de 1930, quando os gestores tinham liberdade para contratar sem concurso.

“Nós estamos jogando fora, na verdade, um patrimônio, um ativo, que demorou muitos anos para ser construído. No meu modo de ver, é um equívoco imaginarmos que esse receituário vai oferecer qualquer perspectiva de melhora. Pelo contrário, ao que parece é que nós estamos tendo como futuro a volta ao passado”, lamentou.

O professor de economia da UFMG Frederico Jayme Jr. disse que o gasto público pode ser promotor de crescimento econômico e que isso não vem sendo levado em conta. E ressaltou que o servidor público estável tem um papel importante.

“A gente está vendo que está ocorrendo um desmonte do Ibama e da fiscalização ambiental. Mas não fossem os fiscais ambientais para se contrapor a esse desmonte, a situação seria muito pior.”

Fonte: Câmara dos Deputados, editado por Caroline P. Colombo