ARTIGO DE POLICIAL JUDICIAL DEFENDE TREINAMENTO CONTÍNUO COMO FATOR DECISIVO PARA SEGURANÇA E DESEMPENHO OPERACIONAL

O Policial Judicial e instrutor Bruno Wille é o autor de um artigo que traz a reflexão técnica e científica sobre a capacitação na atividade policial e reforça a necessidade de treinamento contínuo como requisito essencial para a atuação segura, eficiente e juridicamente protegida dos APJs.

Com o título “Treinamento Policial Contínuo: Fundamentos Neurocientíficos da Aprendizagem Motora e do Desempenho Operacional”, o trabalho analisa, sob as perspectivas operacional, pedagógica e neurocientífica, as limitações dos treinamentos concentrados e demonstra por que cursos pontuais não garantem a retenção nem a aplicação eficaz das habilidades exigidas no cotidiano policial.

Bruno destaca que a atividade policial ocorre, muitas vezes, em ambientes de elevado estresse psicofisiológico, exigindo respostas rápidas, precisas e seguras. Ainda assim, o modelo de capacitação historicamente adotado por diversas instituições baseia-se em cursos episódicos, geralmente com duração de poucos dias, voltados a disciplinas práticas como defesa pessoal policial, técnicas de imobilização, uso progressivo da força, armamento e tiro.

De acordo com ele, é comum que, pouco tempo após o encerramento desses treinamentos — inclusive em cursos realizados no âmbito da GAS — ocorra uma perda significativa da capacidade de execução das técnicas aprendidas. Em muitos casos, cerca de uma semana depois, parte dos policiais já apresenta dificuldade para aplicar corretamente os procedimentos ou sequer recordá-los de forma funcional. O artigo ressalta que esse fenômeno não representa falha individual, mas decorre de limites neurobiológicos do processo de aprendizagem humana.

Ao abordar os fundamentos neurocientíficos da aprendizagem motora, o estudo explica que a consolidação da chamada memória procedimental, responsável pela execução automática de movimentos, depende de repetição espaçada, prática recorrente e reforço contínuo. Sem essa manutenção, ocorre o decaimento da memória motora, com prejuízo à precisão, velocidade e segurança da resposta operacional, restando apenas o conhecimento teórico, insuficiente em situações reais de serviço.

O trabalho também alerta para os riscos do desempenho sob estresse. Em ocorrências reais, a ativação intensa do sistema nervoso reduz o controle cognitivo consciente, fazendo com que o policial dependa quase exclusivamente de respostas automatizadas. Quando o treinamento não é contínuo, essas respostas não estão plenamente consolidadas, aumentando significativamente o risco de falhas operacionais.

Além dos impactos individuais, o estudo destaca consequências institucionais relevantes. Falhas técnicas decorrentes da ausência de treinamento permanente ampliam o risco de responsabilização administrativa, civil e penal, tanto para o policial quanto para o órgão ao qual está vinculado. Nesse contexto, o treinamento contínuo passa a ser compreendido como uma estratégia de gestão de riscos, contribuindo para a proteção do agente, da instituição e da sociedade.

Para Bruno Wille, o treinamento policial não pode ser tratado como evento isolado, mas deve ser estruturado de forma contínua, permanente e progressiva, com ciclos regulares de reaprendizagem e atualização. À luz da neurociência e da psicologia do desempenho humano, a capacitação contínua é apresentada como exigência funcional e operacional, indispensável para uma atuação segura, eficiente e tecnicamente precisa.

Leia AQUI a íntegra do artigo do Policial Judicial

Sobre o autor

Bruno Wille é Agente de Polícia Judicial, instrutor policial, especialista em Segurança e pós-graduado em Neurociência, Comportamento Humano e Mediação.

Da assessoria de imprensa, Caroline P. Colombo

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